Ufa...
Trânsito infernal, desencontros, chuva forte e a falta de dinheiro no bolso fez com que na quarta, véspera de feriado, dia de São Paulo X Palmeiras, lá pelas 20:00, eu estivesse em um Pão de Açúcar em busca de um Banco 24 Horas.
Encontrei-o, saquei uma grana e quando me dei conta, estava entre gôndolas e carrinhos. O trânsito nos colocava a mais de meia hora do Morumbi e eu sabia que não havia mais tempo a perder.
Quando o encontrei o freezer, senti um frio na barriga, uma emoção diferente. Foi como se algo acontecesse dentro de mim, negando minha prórpia existência.
Aturdido, cambaleei buscando apoio em minhas próprias convicções. A promessa havia sido cumprida sem que em qualquer momento eu esmorecesse. Jamais cedi à tentação e não fugi de meu compromisso, honrando-o sem questionamentos. Mais que uma promessa, tudo parecia um juramento de sangue.
Por que aquilo, então? Por que? Por que, porra!?
Virei-me para os lados ainda sem saber o que fazer. Levei as mãos à cabeça, deixando cair meu boné no chão. Foi ali, abaixado e meio tonto, que vi um crachá vindo em minha direção. Ele trazia um nome, Wagner creio eu. Num esforço, consegui chegar até ele, encarando-o transtornado. Com raiva, fiz o questionamento fatal:
-Gelada, só tem Kaiser?
Ele apontou um outro freezer a alguns passos dali. A esperança encharcava minha alma quando enfim pude sorrir tranquilo.
Comprei 4 long necks Miller, uma pra cada um dos tricolores do carro. A minha, após poucos segundos, estava absolutamente seca.
-Ah!
